24/02/2016

179 anos de Rosalía de Castro


Galiza, terra irmã de Portugal,
Que o mesmo oceano abraça longamente;
Berço de brandas névoas refulgindo
O espírito do sol amanhecente,
Altar de Rosalia e de Pondal
Iluminado a lágrimas acesas,
Entre pinhais, aos zéfiros, carpindo
Mágoas da terra e místicas tristezas;
A ti dedico o livro que uma vez,
Embriagado de sombra e solidão,
Compuz sobre os fraguedos do Marão:
Este livro saudoso e montanhês.
Galiza, terra irmã de Portugal,
Que a divina Saudade transfigura,
A tua alma é rosa matinal,
Onde uma lágrima de Deus fulgura,
Terra da nossa infância virginal,
Altar de Rosalia e da Ternura,
Dedico-te estes versos, que, uma vez,
Compus em alto cerro montanhês.

(Teixeira de Pascoaes, revista “Nós”, Nº 18, 1 de Julho de 1923)