13/03/2015

Sexta Feira 13

Que a Europa está possuída por espíritos estranhos, lá isso está. Que há quem pense que são espíritos do mal, personificados pelas bruxas, feiticeiras, bruxos e zangões que dominam a vida colectiva dos povos europeus, também há quem não tenha dúvidas. Mas, como diz o refrão, a grandes males grandes remédios. Portugal tem uma longa tradição como vítima de feitiçaria, basta recordar os três feitiços nacionais também conhecidos pelo drama/trágico/patriótico do triplo F - fado, futebol e fátima -, que, apesar de ter um efeito mais poderoso que a picada da mosca tzé-tzé, tem no entanto vindo a ser combatido, mais ou menos com sucesso, desde que se inventaram os produtos Bayer. E aqui surge uma questão: Será que a bruxa má germânica, a Angela Merkantil, nos lançou algum mau olhado, para mais facilmente o zangão da cadeirinha rolante exportar mais austeridade, como novo insecticida? É uma hipótese, pois nestes tipos com manias estrafalárias e imperiais não há que fiar... Mas os especialistas creditados nesta coisa de pragas e mesinhas, dizem que a explicação deve ser encontrada no mui antigo e não menos credível Livro de O gigante e Verdadeiro Capa de Aço, também conhecido como de São Cipriano, e que na pág. 352 do citado calhamaço se encontra a solução milagrosa - O Elixir da Coragem. Vejamos então o que nos conta a obra de excelência das Maias globais: "Elixir da Coragem - Eis aqui o chamado elixir da coragem (o qual, durante a Guerra dos Trinta Anos, era conhecido pelo nome latino de Acqua Magnanimitatis). Prepara-se da seguinte maneira: em pleno verão, bate-se, com um chicote, num monte de formigas, até que elas, assustadas, produzem uma secreção ácida de cheiro intenso. Recolhe-se então boa quantidade de formigas, as quais são postas num alambique. Enche-se este de aguardente muito forte e pura. Depois sela-se e põe-se o alambique ao sol. Quatorze dias após, coa-se o líquido (o qual já terá consistência de xarope) e mistura-se a ele meia onça de canela em pó. Toma-se meia colher de sopa deste elixir, num bom copo de bom vinho." Fácil. E quem deve tomá-lo? Ãh! Políticos patriotas em funções governativas e impotentes em geral? Pois, É mais fácil vê-los convertidos ás verdades insofismáveis da superioridade da Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Weber, do que terem um pequeno rasgo de coragem, mesmo que fosse a tomar tal beberagem. Consta que a feiticeira Cristina LaGardénia da Fundação  Morte Inevitável, terá prometido aos alunos lusos e bem comportados da troika que, se se portassem bem e se se negassem a tomar a tal mixórdia utópica da coragem, lhes concederia três desejos, um a cada um é claro. Assim, ao Paulinho das feiras transformá-lo-ia futuramente em Paulete Porte, dançarina  de les Folies Bergéres de Paris, sonho antigo nunca concretizado por causa das aparências e más línguas; ao Coelho Nariz de Pinóquio dar-lhe-ia a honra de Soba de um Kimbo Angolano, com respectivo lago habitado por  crocodilos, hipopótamos, um pedaço de savana com a bicharada do costume, e um arco e flecha para perseguir gazelas e gnus; ao inefável de Boliqueime prometeu-lhe interceder junto do Vaticano para, num futuro (não especifica se próximo ou longínquo), ser canonizado como o santo padroeiro das banalidades terrenas. É notório o poder de alienação (compreensível, por outro lado) que tal feitiço pode provocar, desviando a atenção dos governantes nacionais para órbitas bem distintas daquela que melhor serviria os interesses da população. Penso que melhor do que lamentar a falta de eficácia  dos ensinamentos de São Cipriano (neste caso, entenda-se), é meter mãos à obra, fazer uns milhões de manguitos à Irmandade da Bruxaria Mundial - FMI, BM, BCE, UE, OTAN, etc, etc, etc. -, e esconjurá-los à maneira do Padre Fontes, não com epopeias lusitanas tardias, mas com a estética deste norte Celta e intemporal. 
Mouros, corujas, sapos e bruxas.
Demónios, duendes e diabos, espíritos dos nevoeiros.
Corvos, salamandras e meigas, feitiços das curandeiras.
Troncos podres e furados, lugar de vermes.
Fogo das Guerras Santas, negros morcegos,
Cheiro dos mortos, trovões e raios.
Orelha de cão, pregão da morte;
Focinho de rato e pata de coelho.
Pecadora língua de mulher má casada com homem velho.
Casa de Satanás e Belzebu, fogo dos cadáveres ardentes
Corpos mutilados de indescentes,
Peidos de cus infernais
Bramido do mar bravo
Barriga inútil de mulher solteira
Miar de gatos que andam à solta.
Guedelha suja de cabra mal parida.
Com este fole levantarei as chamas deste lume
que se assemelha ao do inferno
E fugirão as bruxas a cavalo das suas vassouras
indo-se banhar na praia das areias gordas.
Oiçam! Oiçam os ruídos que fazem
as que não podem deixar de queimar-se na aguardente
ficando assim purificadas.
E quando este preparo, passar pelas nossas goelas,
ficaremos livres dos males da nossa alma
e de todo o embruxamento.
Forças do ar, terra, mar e lume!
A vós faço a chamada:
Se é verdade que tendes mais força que a humana gente,
aqui e agora, fazei com que os espíritos
dos amigos que estão fora,
participem connosco nesta Queimada