13/03/2015

Jeroen Dijsselbloem e a manipulação das palavras - a corrupção da linguagem como estratégia de poder


A "Alemanha tornou-se a principal vítima" da Grécia, diz presidente do Eurogrupo, numa actitude mais característica de portavoz dos interesses alemães do que de responsável do Eurogrupo. O Sr  Jeroen Dijsselbloem deve gostar do papel de servidor dos vizinhos do norte, os ricos que se acham acima e com direitos sobre tudo e todos, o que não pode é pensar que tem legitimidade para enganar, falsear e manipular a verdade desde o cargo que ocupa. O tipo de argumentos que usa são idênticos aos de certos patrões que se sentem com direito de pernada sobre as suas empregadas - é verdade que a apalpei sr juiz, mas ela estava mesmo a pedi-las com aquela mini-saia... Quando a Grécia diz que  expropria bens alemães se Berlím não paga as reparacões de guerra, entende-se perfeitamente quem é o criminoso e a vítima, goste ou não goste da verdade o Sr Dijsselbloem e o Sr Schauble, e não consta que fossem as mini-saias que levaram o III reich à Grécia, a assassinar milhares de pessoas e a espoliar o Banco Nacional Grego. Se a Alemanha quer dar lições de moral e bom comportamento aos outros, que cumpra com as suas obrigações históricas e pague o que deve à Grécia, caso contrário arriscamos-nos todos a sucumbir  ao egoísmo desumano e insolidário do IV reich financeiro, eufemisticamente chamado União Europeia. Talvez seja o momento da Europa do Sul olhar para exemplos como este da Islândia, que retira candidatura de adesão à União Europeia,  porque há mais vida para além da austeridade e da Europa dos ricos, e uma dignidade a recuperar.