31/03/2015

" Da liberdade interior" "No país dos lambe botas"

(No país dos lambe botas de Luiz Morgadinho)

Curvei-me
para beijar
as negras e bem polidas botas 
do nosso amo
e então ele disse:
mais!

Curvando-me mais
senti
com prazer
a resistência
da minha coluna
que não queria estar dobrada

Feliz, verguei-me ainda mais
reconhecido ao nosso amo
por esta descoberta
da minha dignidade
e força
interiores

(Da liberdade interior de Erich Fried)







29/03/2015

"A cidade das palavras"


As caixas do correio de Montevideu existem desde tempos imemoriais, feitas de bronze com adornos, juntas umas às outras entre o chão e o tecto. 
Eu visito-as à tarde.  De cada vez que vou, antes de abrir a minha caixinha, detenho-me, chave na mão, ouvido atento. As caixas formam uma cidade de palavras, e eu escuto.
Ali há cartas de muita gente, dirigidas a muita gente desde todos os lugares do mundo. As cartas, que não conseguem estar caladas, falam todas ao mesmo tempo. Eu não entendo o que dizem, mas tento adivinhar-lhes as vozes: as cartas riem, suspiram, gemem, refilam, assobiam, cantam, todas loucas de vontade a serem abertas e lidas.
(Eduardo Galeano)

24/03/2015

Submarinos, corrupção, e os vídeos de que a casta do CDS não gosta...

A bem da sanidade política, o que seria bom era que a justiça funcionasse. Mas se não funcionar e a culpa morrer solteira uma vez mais, coisa habitual cá no rectângulo, isso não significa que a corrupção não exista. Os corruptos e os seus cúmplices não gostam deste vídeo? Paciência, também há quem prefere um Estado de Direito e tem de aguentar um Estado de Direita, ou o Estado a Que Isto Chegou...

Há ouro em quê?

Herberto Helder, 1930-2015 - A imortalidade da palavra, a permanência da voz...


Morreu o poeta Herberto Helder

23/03/2015

Micro-relato

"Há romances que, mesmo sem serem longos,  não conseguem começar verdadeiramente antes da página 50 ou 60. A algumas vidas acontece-lhes o mesmo. Por isso não me suicidei antes, senhor juiz."

Juan José Millás


22/03/2015

The German Übermacht...

Capa da revista  Der Spiegel de ontem, mostra-nos que nem todos os alemães vêem em Angela as qualidades que os governantes portugueses tanto apreciam...

Merkel recebe Tsipras para tentar acalmar os ânimos ...

...coisa que não é difícil, basta com que os PIGS austeritários germânicos, paguem o que devem à Grécia.


20/03/2015

Em Andaluzia, a Primavera começa no dia 22


Equinócio

David Mourão-Ferreira/Equinócio


Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
o riso que ninguém reteve num retrato

Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gin enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena

Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo

Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe

19/03/2015

Devotos...

Por este andar, e tendo em conta que das vigílias às procissões de velas a distância é insignificante, os devotos da virgem de Fátima vão ter seguramente concorrência. Os acólitos e crentes do santo e mártir da cela 44 da prisão de Évora estão a organizar-se. Começaram pelas peregrinações à cidade alentejana, seguiram-se intervenções virulentas de destacados apóstolos da seita, aos jornais e televisões da Nação e, agora, passaram à apresentação pública do movimento evangélico socratino em formato cívico. O plano dos infiéis vem da direita, dizem. Mas de qual, da direita dos homens ricos, ou da direita da esquerda dos novos ricos? Entre uns e outros que venha o diabo e escolha. 

Movimento cívico diz que prisão de Sócrates é um "plano da direita"


16/03/2015

Schauble - a arrogância imperial...

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Ainda ninguém entendeu o que a Grécia quer, diz o ministro das Finanças alemão

Quem é que não entendeu? Qualquer europeu defensor da democracia e que se oponha aos abusos dos amos do mundo, entendeu que a Alemanha não pode arvorar-se em exemplo de nada nem de ninguém, enquanto não saldar a dívida contraída com os povos que sofreram o terror dos criminosos nazis. Hitler chegou ao poder com os votos da maioria dos alemães, pelo que nem sequer podem argumentar que o responsável era o ditador. A Alemanha do poder actual, arrogante e insolidária, engorda todos os dias com a miséria imposta aos povos da Europa do sul com essa arma chamada austeridade, que maneja tão bem como o fuhrer manejava os canhões e as técnicas de genocídio nos campos de concentração. O crime não deve ficar impune, e os europeus não se podem dar ao luxo de pactuar com a ideia de que o crime compensa, pois correm o risco de deixar de ser cidadãos para passarem a ser escravos de um novo tipo de reich - financeiro. Diz  Schäuble - Atenas "destruiu toda a confiança" , e engana-se mais uma vez, ou mente, porque não pode confundir o sentimento dos povos com a ideia que lhe podem transmitir os politiquinhos servis ao serviço da sua causa neo-liberal. Hoje, os povos europeus que sofrem na pele o ataque de que são alvo pelo poder dos banqueiros e dos interesses financeiros, têm mais claro que a mudança começou na Grécia, mas que em breve se estenderá a Espanha e outros países que não suportam mais a arrogância de poderes não eleitos e antidemocráticos. Ou construímos uma autêntica União Europeia dos povos, ou recuperaremos a soberania e a dignidade quer gostem ou não, mas não deixaremos que nos subjuguem. E a propósito, a Alemanha que pague o que deve ao povo GREGO.  

German Parliament report confirms Greece’s legal chances to WWII Reparation

Vozes de burro não chegam ao céu - diz o povo -, e há cartas de poetas que parecem feitas à medida...

Cavaco prevê crescimento de 2% da economia em 2015, acima da expectativa de Passos

Presidente avisa que futuro Governo terá que fazer “reformas estruturais”

carta
1. se v.exa. me permite
eu gostaria de dizer o que penso.
2. em primeiro lugar penso
que v.exa. anda
no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio.
3. v.exa. dirá que eu estou afirmando
que v.exa. anda para trás.
4. na verdade, nada me impede de afirmar que
v.exa. anda para trás.
não foi isso porém o que eu disse.
5. com efeito, não sei
se v.exa. anda para trás. segundo penso,
v.exa. anda no sentido oposto ao dos ponteiros
do relógio.
6. seria necessário poder afirmar com toda a
segurança que os ponteiros do relógio
andam para a frente,
para poder afirmar
com igual segurança
que v.exa. anda para trás.
7. mas quem está em condições de
afirmar com toda a segurança
que os ponteiros do relógio andam
para a frente? ninguém está
em condições de afirmar com toda a segurança
que os ponteiros do relógio andam
para a frente, porque, como v.exa. sabe,
os ponteiros do relógio andam à roda.
8. a única coisa que se pode afirmar com toda a
segurança
é que os ponteiros do relógio andam
à roda para um lado e v.exa.
anda à roda para o outro. os ponteiros
do relógio rodam para um lado e v.exa. roda
para o outro. de modo que v.exa. com
o seu movimento anula o movimento
dos ponteiros do relógio e vice-versa.
9. na verdade é como
se v.exa. não andasse e como
se os ponteiros do relógio também não andassem.
10. com efeito, não creio que v.exa. ande para a frente
nem que v.exa. ande para trás, não creio que v.exa.
ande para cima nem que v.exa. ande para baixo, não creio
que v.exa.
ande para a direita nem que v.exa. ande para a esquerda,
apenas suponho que v.exa. anda à roda de si mesmo.
no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio e,
ainda,
de olhos fechados, não sei porquê, talvez
para não enjoar.
11. o que eu, em duas palavras, em segundo lugar penso,
é que v.exa. usa um instrumento de osso ou de plástico
com uma enfiada de pontas aceradas, chamado pente,
a fim de estar sempre bem penteado, pois nada
perturba mais v.exa. que o receio de não
estar bem penteado, nada perturba mais
v.exa., e é por isso que só quando v.exa.
acaba de perder o cabelo todo se começa
a sentir um pouco à vontade, é, segundo suponho,
por isso.
12. de forma que a visão de
v.exa. e dos restantes concidadãos
andando todos à roda de si mesmos,
no sentido oposto ao dos ponteiros de relógio,
de olhos fechados e cabelos cuidadosamente penteados,
é um espectáculo alucinante,
que v.exa. infelizmente não pode apreciar,
por ter os olhos fechados.
13. claro que v.exa. julga que só v.exa.
faz o movimento que v.exa. faz, e o mesmo
julgam os restantes concidadãos, pois
todos se consideram uma excepção, um
caso único, especial, e no entanto todos
formam uma regra, no seu movimento regular,
no seu circulo vicioso,
à roda de si mesmos,
no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio,
de olhos fechados
e cabelos cuidadosamente penteados.
(Alberto Pimenta)

13/03/2015

Jeroen Dijsselbloem e a manipulação das palavras - a corrupção da linguagem como estratégia de poder


A "Alemanha tornou-se a principal vítima" da Grécia, diz presidente do Eurogrupo, numa actitude mais característica de portavoz dos interesses alemães do que de responsável do Eurogrupo. O Sr  Jeroen Dijsselbloem deve gostar do papel de servidor dos vizinhos do norte, os ricos que se acham acima e com direitos sobre tudo e todos, o que não pode é pensar que tem legitimidade para enganar, falsear e manipular a verdade desde o cargo que ocupa. O tipo de argumentos que usa são idênticos aos de certos patrões que se sentem com direito de pernada sobre as suas empregadas - é verdade que a apalpei sr juiz, mas ela estava mesmo a pedi-las com aquela mini-saia... Quando a Grécia diz que  expropria bens alemães se Berlím não paga as reparacões de guerra, entende-se perfeitamente quem é o criminoso e a vítima, goste ou não goste da verdade o Sr Dijsselbloem e o Sr Schauble, e não consta que fossem as mini-saias que levaram o III reich à Grécia, a assassinar milhares de pessoas e a espoliar o Banco Nacional Grego. Se a Alemanha quer dar lições de moral e bom comportamento aos outros, que cumpra com as suas obrigações históricas e pague o que deve à Grécia, caso contrário arriscamos-nos todos a sucumbir  ao egoísmo desumano e insolidário do IV reich financeiro, eufemisticamente chamado União Europeia. Talvez seja o momento da Europa do Sul olhar para exemplos como este da Islândia, que retira candidatura de adesão à União Europeia,  porque há mais vida para além da austeridade e da Europa dos ricos, e uma dignidade a recuperar.

Sexta Feira 13

Que a Europa está possuída por espíritos estranhos, lá isso está. Que há quem pense que são espíritos do mal, personificados pelas bruxas, feiticeiras, bruxos e zangões que dominam a vida colectiva dos povos europeus, também há quem não tenha dúvidas. Mas, como diz o refrão, a grandes males grandes remédios. Portugal tem uma longa tradição como vítima de feitiçaria, basta recordar os três feitiços nacionais também conhecidos pelo drama/trágico/patriótico do triplo F - fado, futebol e fátima -, que, apesar de ter um efeito mais poderoso que a picada da mosca tzé-tzé, tem no entanto vindo a ser combatido, mais ou menos com sucesso, desde que se inventaram os produtos Bayer. E aqui surge uma questão: Será que a bruxa má germânica, a Angela Merkantil, nos lançou algum mau olhado, para mais facilmente o zangão da cadeirinha rolante exportar mais austeridade, como novo insecticida? É uma hipótese, pois nestes tipos com manias estrafalárias e imperiais não há que fiar... Mas os especialistas creditados nesta coisa de pragas e mesinhas, dizem que a explicação deve ser encontrada no mui antigo e não menos credível Livro de O gigante e Verdadeiro Capa de Aço, também conhecido como de São Cipriano, e que na pág. 352 do citado calhamaço se encontra a solução milagrosa - O Elixir da Coragem. Vejamos então o que nos conta a obra de excelência das Maias globais: "Elixir da Coragem - Eis aqui o chamado elixir da coragem (o qual, durante a Guerra dos Trinta Anos, era conhecido pelo nome latino de Acqua Magnanimitatis). Prepara-se da seguinte maneira: em pleno verão, bate-se, com um chicote, num monte de formigas, até que elas, assustadas, produzem uma secreção ácida de cheiro intenso. Recolhe-se então boa quantidade de formigas, as quais são postas num alambique. Enche-se este de aguardente muito forte e pura. Depois sela-se e põe-se o alambique ao sol. Quatorze dias após, coa-se o líquido (o qual já terá consistência de xarope) e mistura-se a ele meia onça de canela em pó. Toma-se meia colher de sopa deste elixir, num bom copo de bom vinho." Fácil. E quem deve tomá-lo? Ãh! Políticos patriotas em funções governativas e impotentes em geral? Pois, É mais fácil vê-los convertidos ás verdades insofismáveis da superioridade da Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Weber, do que terem um pequeno rasgo de coragem, mesmo que fosse a tomar tal beberagem. Consta que a feiticeira Cristina LaGardénia da Fundação  Morte Inevitável, terá prometido aos alunos lusos e bem comportados da troika que, se se portassem bem e se se negassem a tomar a tal mixórdia utópica da coragem, lhes concederia três desejos, um a cada um é claro. Assim, ao Paulinho das feiras transformá-lo-ia futuramente em Paulete Porte, dançarina  de les Folies Bergéres de Paris, sonho antigo nunca concretizado por causa das aparências e más línguas; ao Coelho Nariz de Pinóquio dar-lhe-ia a honra de Soba de um Kimbo Angolano, com respectivo lago habitado por  crocodilos, hipopótamos, um pedaço de savana com a bicharada do costume, e um arco e flecha para perseguir gazelas e gnus; ao inefável de Boliqueime prometeu-lhe interceder junto do Vaticano para, num futuro (não especifica se próximo ou longínquo), ser canonizado como o santo padroeiro das banalidades terrenas. É notório o poder de alienação (compreensível, por outro lado) que tal feitiço pode provocar, desviando a atenção dos governantes nacionais para órbitas bem distintas daquela que melhor serviria os interesses da população. Penso que melhor do que lamentar a falta de eficácia  dos ensinamentos de São Cipriano (neste caso, entenda-se), é meter mãos à obra, fazer uns milhões de manguitos à Irmandade da Bruxaria Mundial - FMI, BM, BCE, UE, OTAN, etc, etc, etc. -, e esconjurá-los à maneira do Padre Fontes, não com epopeias lusitanas tardias, mas com a estética deste norte Celta e intemporal. 
Mouros, corujas, sapos e bruxas.
Demónios, duendes e diabos, espíritos dos nevoeiros.
Corvos, salamandras e meigas, feitiços das curandeiras.
Troncos podres e furados, lugar de vermes.
Fogo das Guerras Santas, negros morcegos,
Cheiro dos mortos, trovões e raios.
Orelha de cão, pregão da morte;
Focinho de rato e pata de coelho.
Pecadora língua de mulher má casada com homem velho.
Casa de Satanás e Belzebu, fogo dos cadáveres ardentes
Corpos mutilados de indescentes,
Peidos de cus infernais
Bramido do mar bravo
Barriga inútil de mulher solteira
Miar de gatos que andam à solta.
Guedelha suja de cabra mal parida.
Com este fole levantarei as chamas deste lume
que se assemelha ao do inferno
E fugirão as bruxas a cavalo das suas vassouras
indo-se banhar na praia das areias gordas.
Oiçam! Oiçam os ruídos que fazem
as que não podem deixar de queimar-se na aguardente
ficando assim purificadas.
E quando este preparo, passar pelas nossas goelas,
ficaremos livres dos males da nossa alma
e de todo o embruxamento.
Forças do ar, terra, mar e lume!
A vós faço a chamada:
Se é verdade que tendes mais força que a humana gente,
aqui e agora, fazei com que os espíritos
dos amigos que estão fora,
participem connosco nesta Queimada       

A Lista VIP de Passos Coelho

Ele nega, ele diz que não é perfeito, ele pensava que, mas afinal não!, talvez sim ou nem... Não! Nim! Porque sim!!! Ele não sabia que, mas... Áh!, pois!, não era opcional... A lei é uma porra!, mas porque é que existe a lei? Ele desgoverna bem e não é perfeito, ele nega porque lhe está na massa do sangue, ele canta mal mas encanta os amigos da troika, e o tipo de Boliqueime, e os banqueiros, e o ali-bá-bá e o resto dos ladrões, ele até aprendeu a falar inglês técnico como o outro que filosofa tecnicamente, ele é um grandessíssimo mentiroso mas está perdoado porque mente com convicção, ele é um psicopata delirante que sofre de amnésia e não toma memofante, ele é um doente e os doentes merecem compaixão, ele é demente e reclama compreensão, e sente, ou faz que sente na urgência  do perdão... E por tudo isto, porque não? Merece bem o cargo que ocupa neste esgoto, nesta corte, nesta infâmia  em que se transformou o jardim  à beira mar plantado! Afinal isto é fantástico para o turismo, não é?