02/07/2013

APONTAMENTOS - (Re) leituras...

Pintura de Tarsila do Amaral
... « Agora, caro Morus, vou abrir-vos a minha alma e revelar-vos os meus mais íntimos pensamentos. Por toda a parte onde a propriedade constitui direito individual, e onde todas as coisas se avaliam por dinheiro, nunca poderá organizar-se a justiça e a prosperidade social, a menos que chameis justa à sociedade na qual o que há de melhor é pertença dos piores, a menos que considereis feliz aquele Estado em que a fortuna pública é presa de um punhado de indivíduos insaciáveis enquanto a massa é devorada pela miséria.»
...« Muitas vezes até acontece que a sorte do rico devia caber ao pobre. Não há ricos avaros, imorais e inúteis? Pobres simples e modestos, cuja industria e trabalho aproveitam ao Estado, sem vantagem para eles próprios?»
...« Eis o que invencivelmente me convence de que a única maneira de distribuir os bens com equanimidade e justiça, instituindo a felicidade do género humano, é a abolição da propriedade. Enquanto o direito de propriedade for o fundamento do edifício social, a classe mais numerosa e mais estimável só terá, para partilhar, miséria, tormentos e desespero.»
(Excertos de Utopia de Thomas Morus)