19/05/2013

"A Casa das Palavras", de Eduardo Galeano

Acrílico sobre tela - tintas de palavras 
À casa das palavras - sonhou Helena Villagra -, dirigiam-se os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam os poetas e ofereciam-se-lhes, loucas de desejo a serem eleitas: elas rogavam aos poetas que as mirassem, que as cheirassem, que as tocassem, que as lambessem. Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e, então, relambiam os beiços de contentes ou torciam o nariz. Os poetas andavam à procura de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam mas haviam perdido. Na casa das palavras havia também a mesa das cores. Em grandes terrinas ofereciam-se as cores, e cada poeta servia-se da cor que lhe fazia falta: amarelo limão ou amarelo sol, azul de mar ou cinza fumo, vermelho lacre, vermelho sangue, vermelho vinho… 
Tradução e pintura de Fernando Fernandes