28/04/2013

Arte - Cultura/Censura à moda do Porto...

Viva a III República do Estado dos Povos de Espanha

PS - congresso com "muita parra e pouca uva..."

Seguro pede maioria absoluta mas não exclui alianças
Fotografia © Pedro Correia - Global Imagens
Por trás do homem uma palavra - MUDAR.
Mas, mudar o quê? Como? Para onde? Para quê? Como diz o ditado popular "gato escaldado de água fria tem medo", e no caso do PS - como do PSD - estes ensinamentos devem ser levados em conta, pois são autênticos especialistas a mudar - as caras, as máscaras, as promessas, a retórica - para que tudo fique na mesma. Ora vejamos: aquilo que o PS critica hoje, a austeridade, foi introduzida na realidade portuguesa pelos governos de Sócrates com o apoio de Passos Coelho e Paulo Portas, sob a pomposa quanto falsa designação de PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento, acordo desenhado pelos mesmos autores do Memorando da troika - a UE. Quer dizer: a austeridade imposta pelo Memorando da troika -FMI, BCE, UE -  assinada e aplaudida pela troika nacional PS/PSD/CDS com o apoio das suas correias de transmissão - associações patronais e UGT - é a evolução lógica do PEC, cuja aplicação prática em Portugal não passou de um hino à incompetência e à vaidade dos novos ricos detentores do poder político, sempre tão poderosos contra a cidadania e tão servis perante o capital. O PS, que é o verdadeiro representante da social democracia mundial no país, tem que se definir, porque não basta tirar a gravata e vestir de ganga durante um congresso para ser de esquerda, não basta falar de Estado Social para defendê-lo, não basta parecer prometendo, tem que ser fazendo, tem que romper com  um passado em que foi alternância e não alternativa ao PSD, em que foi o gestor preferencial das políticas do capital e dos grandes interesses enquanto governo. Não se pode estar com a  presa e o predador ao mesmo tempo, e enquanto não solucionar essa contradição o PS não passará de um partido com muita parra e pouca uva. 

Cinema - Che, El argentino


" Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida - são os imprescindíveis"
Bertolt Brecht

27/04/2013

Raus mit der troika! Das Volk ist souverän! - que se lixe a troika, o Povo é quem mais ordena!



Conferência de imprensa. Foto de Que se Lixe a Troika no Facebook

Povos unidos contra a troika: Manifestação Internacional dia 1 de Junho

Troika treme - mais um empurrãozinho e esta "coisa" cai...

Crise europeia interrompe processo de globalização

Ignacio Ramonet (Redondela, 1943), é um dos pensadores mais lúcidos dos últimos tempos. Instalado em Paris desde 1972, sociólogo e semiólogo, especialista em geopolítica, professor de teoria da comunicação, sagaz jornalista, sua forma de ver e interpretar a modernidade e, por extensão, a globalização, faz de suas ideias um ponto de inflexão necessário contra o pensamento dominante. Falamos com ele sobre a atualidade política, a crise e os emergentes movimentos sociais, a Europa e o porvir.

Para Ignacio Ramonet, “o curso da globalização parece suspenso” e o momento é marcado por “desglobalização e decrescimento”. “Todas as sociedades do sul da Europa tornaram-se furiosamente anti alemãs, uma vez que a Alemanha, sem que ninguém lhe tenha outorgado esse direito, se erigiu em chefe. (...) A Europa é agora, para milhões de cidadãos, sinónimo de castigo e sofrimento: uma utopia negativa”, adianta. Entrevista de Manuel Fernández-Cuesta, para o Eldiario.es.

A entrevista pode ser lida aqui.

PS - alternância não é alternativa...

António José Seguro discursa no congresso
Estão em congresso, e na oposição. Não é novo que este partido seja "mais ou menos".., quer dizer: de esquerda quando está fora do poder, que logo muda quando chega ao governo. Andam animados, confiantes na memória curta de que faz "jus" a classe média portuguesa quando se trata de decidir o voto. Tem-lhes saído bem, mas um dia pode mudar, como está a mudar na Grécia e na Espanha, onde cada vez mais a dita classe vai tomando consciência de que há que fazer algo para mudar a realidade, começando por não premiar os partidos responsáveis pelas situações catastróficas a que levaram os países. E o PS em Portugal, como o PSOE em Espanha ou o PASOK na Grécia são tão responsáveis pela crise como a direita com que vão alternando. Esquecer isto é não só grave, como o melhor caminho para não se sair da cepa torta. As promessas são para "inglês ver", não para cumprir, ou já esqueceram o que prometeu Sócrates e Passos Coelho? Seguro é só mais um nome, mas a escola e os interesses que representa são os mesmos. A Esquerda não deve ter ilusões, como já vão dando a entender nesta reunião magna...



25/04/2013

Hoje, o "génio da banalidade" "botou faladura"...

À atenção dos pasquins nacionais, vulgarmente conhecidos como jornais...

ABRIL, SEMPRE!

1 - 25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS
Olha Portugal, estas palavras de ordem vão ouvir-se de novo dentro de algumas horas, um pouco por todo o teu território. A voz do Zeca – sempre presente –, irá recordar-te que “Grândola Vila Morena”, mais do que uma canção foi o sonho feito realidade, onde na “Terra da fraternidade o Povo é quem mais ordena, dentro de ti, ó cidade”. - continua aqui.

2 - Olá Portugal:
Cá estamos de novo, e mais velhos, não é? Mais velhos e nem por isso melhor... Pois, esta teimosia de deixar que seja o tempo a encarregar-se das coisas... Vê lá tu! - continua aqui.

3 - Agora, hoje, dentro dumas horas, terá de se cumprir Abril, pela tua dignidade. Na rua, nas praças, onde quer que exista uma voz com Grândola e novas cantigas, novas lutas, nova gente a somar-se neste mar crescente de fome de justiça, com urgência e vontade, persistência de antes quebrar que torcer. Assim tem que ser, e "se é para acontecer pois que seja agora" diz quem canta como quem renasce  depois do pesadelo, porque disso se trata, resgatar-te das garras dos vampiros que disfarçados com outras vestes, outros nomes, continuam a devorar-te à sombra de eufemismos - dizem que te ajudam quando te roubam, que pensam no teu futuro quando te  matam o presente, que mais pobres e mais pobreza, menos ricos com mais riqueza já não é desigualdade, passou a ser equidade. Eles pairam por aí e temos que pará-los antes que seja  tarde, demasiado tarde. E é nas ruas, nas praças, em todas as geografias que lhes dificultem os movimentos que vamos pará-los, porque temem o que não conhecem, o que não controlam. Mais um esforço e não haverá palácio por mais fechado que esteja que lhes sirva de covil. Poderão barricar-se em todos os palácios possíveis, disfarçar-se de cravos na lapela, alabar  Abril com mentiras de novembro, contar com o apoio do "génio da banalidade", acreditar nos elogios da troika, da Merkel,  de todas as máfias financeiras, esconder-se atrás de todas as incompetências,  corrupções, bancas, mercados e outros ladrões, mas não passarão. Por Portugal, pela dignidade, ABRIL SEMPRE

23/04/2013

Iraque - lembram-se? Armas químicas - diz alguma coisa? Bush, Blair, Aznar, Barroso... - E agora? Preparem-se para os próximos capítulos duma guerra que começa sempre com a cumplicidade dos "media" - A morte vende, o negócio é seguro, e o lucro sobrepõe-se sempre à ética, ou à falta dela.....


Militares americanos humilham e torturam prisioneiros iraquianos.

EUA pedem que Otan se prepare para ameaça de armas químicas da Síria

http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20130423112352&cat=mundo&keys=eua-pedem-otan-se-prepare-ameaca-armas-quimicas-siria

O terrorismo de estado dos "justiceiros" ocidentais começa sempre com campanhas através dos "media", repetir a mentira até parecer verdade e, depois, pedem desculpa e lavam as mãos como Pilatos. Pelo caminho contar-se-ão sempre milhares de vítimas, destruição, injustiça, e um grupo de "assassinos de colarinho branco" que nunca serão responsabilizados pelos crimes cometidos. Para quem tenha dúvidas basta lembrarem-se de Bush, Blair, Aznar e Barroso, que continuam por aí sem que nenhum tribunal internacional pense sequer em fazer-lhes o sono um pouco mais pesado... 



Um governo de mercenários lambe-botas...

22/04/2013

Pois, está à porta...


TERRA - sim, mas todos os dias...

E enquanto vai espremendo a galinha dos ovos de ouro - Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Chipre, e ... -, a imperatriz vai consolidando a hegemonia...

Vão-se governando, vão-se substituindo, o buraco vai-se afundando, e a culpa morre sempre solteira. Bué de fixe, o povo paga! Ai paga, paga...

21/04/2013

Rafael Correa - um governante como a Europa do Sul precisava, mas não têm...


Nesta entrevista concedida ontem à televisão espanhola, o Presidente do Equador diz muitas coisas que têm interesse para portugueses, espanhóis, gregos, italianos, cipriotas, irlandeses e todos aqueles que sofrem a política destruidora da "austeridade". Sabe do que fala porque teve que lidar com a voracidade do FMI e do Banco Mundial, organizações que conhece muito bem enquanto economista e a quem fez frente como político. Mostra o caminho para se lidar com o problema financeiro, que de facto é um problema político. Fala sobre outros assuntos com frontalidade e firmeza, com a dignidade e a ética que faltam à maioria dos governantes europeus de hoje. A entrevista está em castelhano, mas em breve será repetida aqui com tradução e legendas em português.

Berço - Terra - Tempo...



Miguel Torga - Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)
 
Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
- Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.
A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.
Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
- Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.
Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.
Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.
Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.
O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.

Momento de Poesia

Pinturas e desenhos de Graça Morais


Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu  sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha – queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda ouço a tua voz:
     Era uma vez uma princesa 
     No meio de um laranjal...

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.
(Eugénio de Andrade)

Hora do Conto Infantil

20/04/2013

"Llevo el Sur, como un destino del corazon..."



VUELVO AL SUR

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.

Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.

Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.

Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.

Te quiero Sur,
Sur, te quiero.

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.

Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Vuelvo al Sur,
llevo el Sur,
te quiero Sur,
te quiero Sur...

JORNALISMO com maiúsculas - «OS MORTOS QUE NÃO SE VÊEM», de Javier Gallego

Tinha somente 8 anos e morreu depois de abraçar o pai. Separou-se dele, correu ao encontro da mãe e, de repente, uma explosão rebentou-o, transformou-o em pedaços, feriu gravemente a sua mãe e arrancou a perna à sua irmã de 6 anos. Não estou a falar de Boston, estou a falar de Bagdad. Não estou a falar dos 3 mortos e quase 200 feridos no atentado de segunda-feira nos Estados Unidos. Estou a falar dos 36 mortos e mais de 200 feridos do Iraque no mesmo dia, numa onda de atentados que aconteceram em Bagdad, Fallujah e Kirkuk. Estou a falar também dos 5 mortos e 18 feridos por outras bombas que explodiram ontem na capital.

Estou a falar de que vimos na televisão centenas de imagens das bombas nos Estados Unidos, dos feridos ensanguentados, do pânico nas caras das vítimas e testemunhas, conhecemos os seus nomes, o nome desse pobre menino, a tragédia dos seus pais, dos seus vizinhos. Sentimo-nos comovidos perante esse acto brutal. Mas não vimos imagens do terror nas caras dos Iraquianos, nem os seus corpos amputados, nem sabemos dos dramas pessoais de um país arrasado desde que os Estados Unidos e os seus aliados o invadiram ilegalmente e o destroçaram como uma bomba.

Eu só encontrei fotografias de carros queimados em Bagdad, não consegui saber quem foram as vítimas, não sei se morreu uma criança de 8 anos depois de abraçar o pai. Não sei mas imagino que poderia haver, que é muito possível que haja entre as vítimas algum rapazinho iraquiano com a mesma cara de anjo que tinha o pobre Martin Richard assassinado em Massachussets.

Enquanto via o incessante bombardeamento de imagens de Boston com as quais o Ocidente treme de horror e de tristeza, tratava de imaginar que eram as vítimas de tantos, centenas de atentados que sofre esse país desde há anos, e não pude evitar sentir indignação, vergonha, porque o nosso governo e os seus aliados foram lá colocar uma bomba que não pára de explodir. Mas as nossas televisões, nós - os jornalistas -, já não estamos lá para contá-lo, não o mostramos. Não sentimos pena nem piedade porque não os vemos.

Não serve de muito esta reflexão, eu sei, talvez só para recordarmos que o que contam os "media" é só metade do que acontece, que olhamos com egoismo e superioridade metade da humanidade, que vivemos num mundo asqueroso em que os mortos dos Estados Unidos valem mais do que os da Síria ou do Iraque, que os mortos de um dos lados valem mais do que os do outro.

E digo-o também pelo nosso país. Temos uma classe política que não quer ver os mortos, que nos trata como a iraquianos longínquos, e faz leis sem pensar que as suas decisões são um atentado contra os "despejados" da sociedade. Merecem a nossa perseguição e denúncia, o nosso "escrache"* e protesto.

Todos os mortos valem o mesmo mas não contamos todos os mortos. Há mortos que parece que não morrem porque não os vemos. Há mortos que não contam porque não os contamos. Sei que não podemos fazer muito mais do que gritar, mas gritemos, façamos o que estiver nas nossas mãos para que esses mortos também contem.

Javier Gallego, 18 de Abril 
Traducção - Inquietar

"escrache"*- perseguição e denúncia dos responsáveis de "acções de despejo", por parte das vítimas deste crime social.

A peça original pode ser lida aqui. 

19/04/2013

14/04/2013

Eleições na Venezuela - a Revolução continua...



Bolívar lanzó una estrella
que junto a Martí brilló.
Fidel la dignificó
para andar por estas tierras.



(Pablo Milanez)





Pela 3.ª República do Estado Espanhol

Ser poeta é sonhar a vida inteira - Soeiro Pereira Gomes, 14 de Abril de 1909


"Gaitinhas-cantor vai com o Sagui correr os caminhos do mundo, à procura do pai. E quando o encontrar, virá então dar liberdade ao Gineto e mandar para a escola aquela malta dos telhais - moços que parecem homens e nunca foram meninos."
                                                 (Esteiros)
"E eu de tanto sonhar fiz-me poeta"
http://pt.wikipedia.org/wiki/Soeiro_Pereira_Gomes
http://www.dorl.pcp.pt/index.php/combatentes-hericos-menumarxismoleninismo-108/soeiro-pereira-gomes


10/04/2013

Igreja dos pobres, dizem...


No tempo de Paulo VI, há 40 anos, o

Vaticano considerou massacres de Pinochet como propaganda comunista


Na actualidade, Francisco mantem-se coerente com o conceito de "liberdade" do passado. Aliás, a "liberdade" deles, foi a génese da amizade entre o ditador chileno e a "autocrata" inglesa, por isso o

Papa enviou mensagem de condolências ao Reino Unido pela morte de Margaret Thatcher

e o Texto recorda «valores cristãos» da antiga primeira-ministra e a sua defesa da liberdade


Quem sabe se não é pelos valores cristãos que o

Vaticano pirateia filmes "porno" na Net ?


Ainda há quem diga que o paraíso não existe...


09/04/2013

José Luis Sampedro - Humanista, Escritor, Economista - o adeus de "La Sonrisa Etrusca"...



http://www.escritores.org/index.php/biografias/346-jose-luis-sampedro
http://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Luis_Sampedro
Passaram trinta anos desde a minha primeira leitura de José Luis Sampedro - La sonrisa etrusca. Seguiu-se "El rio que nos lleva", e a torrente que gerou foi aumentando num  caudal sem foz para desaguar. Continuará ora calmo ora ondulado, tormentoso às vezes, num oceano de humanismo e conhecimento cujo leito são árvores com peixes de papel, e letras, e sonhos, e fomes, e ternuras insaciáveis enquanto vida, porque vivas.
 http://cultura.elpais.com/cultura/2013/04/09/actualidad/1365498483_787591.html
 http://josesaramago.blogs.sapo.pt/411118.html    

Adriano, 9 de Abril de 1942


http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano_Correia_de_Oliveira
" Há homens que lutam um dia e são bons, outros que lutam um ano e são melhores, os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida - são os imprescindíveis"
Bertolt Brecht

08/04/2013

Thatcher morreu. VIVA BOBBY SANDS...


Homenagem a todas as vítimas dos crimes de Thatcher.
http://discodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=48004
http://en.wikipedia.org/wiki/Bobby_Sands
«Thatcher só vai ser lembrada por sentimentalistas que não sofreram durante a sua liderança mas a maioria da classe trabalhadora britânica já a tinha esquecido e o povo da Argentina vai celebrar a morte dela. De facto, Thatcher era um terror sem um átomo de humanidade».
(Morrissey, vocalista dos  Smiths)