06/01/2013

Quotidianos - 3



O Manel anda danado. Os problemas respiratórios que tem sentido ultimamente tiram-no do sério. Merda, diz, a água para beber não me faz grande falta, mas que não tenha  sequer uns labrestos para a sopa por causa desta maldita geada, é coisa que  atormenta qualquer um. Tudo porque os políticos só pensam neles e o povo que se dane. O boletim meteorológico prognosticava chuva e descida das temperaturas para o fim de semana que se aproximava, mas chegou sábado, passou domingo, e nada. Nem gota. Os tipos do tempo ou se enganaram, ou mentiram, ou então estão feitos com o governo, que é o mais certo com uma tropa destas. O Manel dizia e era pessoa para fazê-lo, que era capaz de ir ao terreiro do paço e apanhá-lo de espera, ao roedor do governo. Mas sozinho não dava, e confiar na carneirada que conhecia também não. Uns borregos que mudam como o vento, basta passar-lhes a mão no lombo, como aos cães. Não fosse a idade e ainda se sentia com forças e boas mãos para trabalhar no estrangeiro, mas como poderia pagar a viagem? O dinheiro do subsídio mal lhe dava para enganar o fole com um caldito de água sem conduto... Havia que fazer qualquer coisa… Havia? Há-de fazer-se...
(Inquietar)