22/12/2012

Vinícius de Moraes - Natal, Poesias Infantis


De repente o sol raiou

E o galo cocoricou:
- Cristo nasceu!


O boi, no campo perdido

Soltou um longo mugido:
- Aonde? Aonde?


Com seu balido tremido

Ligeiro diz o cordeiro:
- Em Belém! Em Belém!


Eis senão quando, num zurro

Se ouve a risada do burro:
- Foi sim que eu estava lá!


E o papagaio que é gira

Pôs-se a falar: - É mentira!


Os bichos de pena, em bando

Reclamaram protestando.


O pombal todo arrulhava:
- Cruz credo! Cruz credo!


Brava

A arara a gritar começa:
- Mentira! Arara. Ora essa!
- Cristo nasceu! canta o galo.
- Aonde? pergunta o boi.
- Num estábulo! - o cavalo

Contente rincha onde foi.


Bale o cordeiro também:
- Em Belém! Mé! Em Belém!


E os bichos todos pegaram

O papagaio caturra

E de raiva lhe aplicaram

Uma grandíssima surra