05/12/2012

Papiniano Carlos, 1918-2012

Poema
Antes isto fosse 
mãos e pés verdadeiros, 
caminho verdadeiro 
e machados, 
arados, 
mãos crescendo nas trevas. 
Antes isto fosse 
um canto de galos 
além nos quintais, 
e homens correndo 
nas sombras da noite. 
Ah, fossem isto ventos, 
fossem isto ventos! 
desabar de casas, 
largada de navios 
na madrugada 
com acenos e gritos reais. 
Fosse isto sangue 
a ensopar-me a camisa, 
fosse isto sangue! 
quente e espesso 
nas minhas mãos.