25/12/2012

Evangelho Segundo Jesus Cristo - José Saramago


24/12/2012

Natal? "É quando um homem quiser"



Tu que dormes à noite na calçada do relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos

Operários de Natal - Ary dos Santos, Joaquim Pessoa, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Maria Helena D`Eça Leal

23/12/2012

Raul Brandão - conto "Natal dos Pobres"



Natal.
Está um dia fosco de neblina incerta e tristeza. Para
lá as árvores despidas não bolem. A vida parou. As
nuvens andam a esta hora a rastro pelas encostas
pedregosas dos montes. Não se ouve um grito. Tudo na
natureza se concentra e sonha. Há no entanto um grande
rio envolto que nunca cessa de correr…
Longe pelos caminhos, através de pinheirais
cismáticos e calados, vão velhinhas tristes, de saia pelos
ombros, para consoar nessa noite com os filhos. Andam
trôpegas léguas e léguas. As suas mãos calosas, as caras
enrugadas, onde as lágrimas abriram sulcos, os olhos
tristes, contam o que elas têm passado na vida, dias sem
pão, suor de aflições, desamparos, maus tratos…

José Saramago - História de um muro branco e de uma neve preta, um conto de Natal

Não haveria nada mais fácil no mundo das histórias que escrever um conto de Natal com Menino Jesus ou sem ele, se não fosse dar-se o caso de que uma criança que nasce está sempre nascendo. O nosso grande erro, esquecidos como em geral andamos das infâncias que vivemos, foi pensar que as crianças nascem uma única vez e que depois de nascidas se limitam a ficar à espera de que o tempo passe e as transforme em adultos, os quais, como deveríamos saber, constituem uma espécie diferente de seres humanos. A criança começa por nascer uma vez, que é a de vir ao mundo, e depois continua a nascer para compreendê-lo: não tem outro remédio nem há outra maneira. Como se verá pelas duas breves histórias que se seguem, ambas autênticas, ambas verdadeiras.

Sophia de Mello Breyner Andresen - A Noite de Natal

Miguel Torga - de "Novos Contos da Montanha", Natal.

De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis por se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode ser - e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma côdea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam... Lá se tinha fé na oração, isso era outra conversa. As boas acções é que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim... Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver.
E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse doutra maneira. Muito embora trouxesse dez réis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe em cabeça consoar à manjedoira nativa... E a verdade é que nem casa nem família o esperavam. Todo o calor possível seria o do forno do povo, permanentemente escancarado à pobreza. Em todo o caso sempre era passar a noite santa debaixo de telhas conhecidas, na modorra dum borralho de estevas e giestas familiares, a respirar o perfume a pão fresco da última cozedura... Essa regalia ao menos dava-a Lourosa aos desamparados. Encher-lhes a barriga, não. Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário colectivo da fome, podiam. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansado. Setenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se na jornada em Feitais. Dera uma volta ao lugarejo, as bichas pegaram, a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta, passava das quatro. E, como anoitecia cedo, não havia outro remédio senão ir agora a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade, com o coração a refilar. Aflito, batia-lhe na taipa do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa ligeira. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está acostumado a quantas tropelias a sorte quer. Ele então, se fosse a queixar-se! Cada desconsideração do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não lucrava nada! Chamavam-lhe filósofo... Areias, queriam dizer. Importava-lhe lá.

22/12/2012

Vinícius de Moraes - Natal, Poesias Infantis


De repente o sol raiou

E o galo cocoricou:
- Cristo nasceu!


O boi, no campo perdido

Soltou um longo mugido:
- Aonde? Aonde?


Com seu balido tremido

Ligeiro diz o cordeiro:
- Em Belém! Em Belém!


Eis senão quando, num zurro

Se ouve a risada do burro:
- Foi sim que eu estava lá!


E o papagaio que é gira

Pôs-se a falar: - É mentira!


Os bichos de pena, em bando

Reclamaram protestando.


O pombal todo arrulhava:
- Cruz credo! Cruz credo!


Brava

A arara a gritar começa:
- Mentira! Arara. Ora essa!
- Cristo nasceu! canta o galo.
- Aonde? pergunta o boi.
- Num estábulo! - o cavalo

Contente rincha onde foi.


Bale o cordeiro também:
- Em Belém! Mé! Em Belém!


E os bichos todos pegaram

O papagaio caturra

E de raiva lhe aplicaram

Uma grandíssima surra

Miguel Torga - Poema de Natal




Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos.
Humanas alvoradas...
A divindade é o menos.


Vinicius de Moraes - Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

20/12/2012

Racismo e preconceito - o excesso de zelo dos lacaios...

" Outros se cansaram, e vós vos aproveitais das suas fadigas."
S. João 4,39


Este pobre de espírito - o gerente -, está para o Santander Totta como o outro pobre de espírito - o primeiro ministro -, está para a troika (CE, BCE, FMI). A diferença estará no futuro que espera os lacaios pobres de espírito. O gerente da sucursal bancária servirá de bode expiatório exemplar por (possivelmente) prejudicar o banqueiro com o seu excesso de zelo. O primeiro ministro será recompensado pela troika e os banqueiros, pelos bons serviços prestados aos amos e senhores que representa, contra o povo que o elegeu e deveria representar. Uma questão de pesos e medidas. O gerente desrespeitou um cidadão com actitudes preconceituosas e racistas, o primeiro ministro atropela milhões de cidadãos todos os dias, e na base encontra-se o mesmo preconceito e o expoente máximo do racismo - o racismo contra os trabalhadores, contra os idosos, contra as crianças e a juventude, contra todos os que sirvam de carne de canhão para executar o mais terrível dos crimes - transformá-los em escravos dos poderosos...  

Outros rumos, outras vias - graffiti (4)


18/12/2012

Gaspar Blá-Blá...



(Portugal retrocede a 1973)


Gaspar insiste que Portugal ganha mais com caminho separado da ...«Não é possível financiar funções e prestações do Estado quando a ...Ministro garante total transparência no processo de privatizações"Portugal não é a Grécia", insiste Vítor Gaspar

Não importa sol ou sombra camarotes ou barreiras toureamos ombro a ombro as feras.Ninguém nos leva ao engano toureamos mano a mano só nos podem causar dano as  esperas. Entram guizos chocas e capotes e mantilhas pretas entram espadas chifres e derrotes e alguns poetas entram bravos cravos e dichotes porque tudo o mais são tretas.Entram vacas depois dos forcados que não pegam nada. Soam brados e olés dos nabos que não pagam nada e só ficam os peões de brega cuja profissão não pega.Com bandarilhas de esperança afugentamos a fera estamos na praça da Primavera.Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça e fazermos da tristeza graça.Entram velhas doidas e turistas entram excursões entram benefícios e cronistas entram aldrabões entram marialvas e coristas entram galifões de crista.Entram cavaleiros à garupa do seu heroísmo entra aquela música maluca do passodoblismo entra a aficionada e a caduca mais o snobismo e cismo...Entram empresários moralistas entram frustrações entram antiquários e fadistas e contradições e entra muito dólar muita gente que dá lucro aos milhões. E diz o inteligente que acabaram as canções.

Outros rumos, outras vias - montra nua (3)


A "competência" de Gaspar...


O Vitor é um excelente economista, os números é que o enganam...


"Não é de agora que Gaspar falha previsões

Não é de agora que Vítor Gaspar falha nas previsões para a economia portuguesa. O filme de 2012 já tinha acontecido em 1993. O único ano de recessão na década de 90 teve o dedo do atual ministro das Finanças."
Continuar aqui.

    17/12/2012

    Miguel Relvas, José Dirceu, German Efromovich - clube de bons rapazes...

    Miguel Relvas - o verdadeiro chefe do governo -, continua a saga privatizadora  vendendo Portugal a preço de saldo, em mais uma negociata de contornos nada transparentes. Os desenhadores do projecto são sobejamente conhecidos - um ministro português que destaca por tudo o que é falta de vergonha e de dignidade para ostentar o cargo que ocupa, um político brasileiro que está preso por corrupção, e um empresário com pelo menos quatro nacionalidades, porque o poder do dinheiro tudo consegue para conseguir mais dinheiro. Claro que "à mulher de César não basta ser séria, tem que parecer séria", exactamente o contrário desta quadrilha que tem o país sequestrado que, por não o ser o pretende  parecer,   pois só assim se pode entender a  posição tomada pelo porta-voz de Relvas - Passos Coelho -, com mais uma encenação de "virgem ofendida" ao transformar-se na voz do amo, porque, como diz o ditado, amor com amor se paga.

    http://www.publico.pt/economia/noticia/gabinetes-de-jose-dirceu-promoveram-a-entrada-de-efromovich-na-tap-1577654

    14/12/2012

    Sugestão de leitura para o fim de semana...

    ... e pode começar por esta peça de Sandra  Monteiro no Le Monde diplomatique com o título de  «Missão histórica»

    Há muito tempo que Pedro Passos Coelho assumiu com convicção ideológica o programa político que está a impor ao país. Recusou fazer o papel de quem não concorda nada com o que a Troika impõe mas está obrigado ao seu cumprimento. Não hesitou sequer em ir mais além, desejoso de mostrar aos credores, mercados e seus representantes que, melhor do que um ajustamento neoliberal, só um hiper-ajustamento neoliberal...



    "Resíduos, bagatelas da farinha..."

    JSD: Os prolongamentos dos contratos a prazo podem salvar 1100 empregos/dia
     Pedro Pimpão,  Bruno Coimbra, Joana Lopes, Cláudia Aguiar, Hugo Soares, Simão Ribeiro
    Os 

    JSD quer acabar com saúde e educação gratuita para todos
    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=606573

    Veteranos como Passos Coelho e Miguel Relvas, ou juniores como os deputados jotinhas da fotografia, são todos farelo do mesmo saco. Mais loira ou menos loira, mais "yuppie" ou mais grunho, têm todos uma coisa em comum - a massa de que são feitos não serve para fazer o Pão que alimenta a gente, só essa bazófia que fica depois de peneirado o trigo, o milho e o centeio que, nas terras do interior deste país, ainda é a base da alimentação dos porcos...     

    13/12/2012

    Álvaro contra Álvaro?

    União Europeia - um Nobel de morte



    Que aconteceria por cá - Portugal, Europa, mundo ocidental em geral - se, em vez dos inúmeros protestos "pacíficos" que os cidadãos vão realizando para reivindicar Direitos que, na essência, são os elementos fundamentais que configuram uma democracia, se se desse início a uma revolução armada? Porque a "democracia" formal, essa que se define porque o povo pode ir votar cada "xis" anos, essa, digo, já a Síria tem, coisa que não se pode dizer de todos os aliados do ocidente nessa zona do globo. Porque a Democracia, quer lá quer cá não passa de uma miragem. Quando em Portugal há pessoas a passar fome, na Espanha há pessoas a suicidar-se porque os bancos, a coberto de leis fabricadas pelos ricos para os ricos, lhes retiram o tecto que os cobre, na Grécia os super-mercados foram substituídos pelos contentores do lixo, quando a miséria e o desemprego alastram, quando é cada vez mais difícil o acesso à saúde por parte dos mais vulneráveis - os idosos - por falta de meios para pagar transportes, consultas e medicamentos,  quando as crianças vão para a escola desnutridas, quando os jovens têm de abandonar a universidade por falta de meios para pagar propinas, quando a "caridade" vai tapando os buracos provocados pela falta de solidariedade a que os cidadãos têm direito por parte do Estado, quando a censura e o controle dos meios de comunicação social se torna quase normal, para melhor servir interesses nada claros, em suma: quando a injustiça social e económica se instala, falar de  Liberdade, Democracia ou Direitos Humanos, não passa de retórica elaborada de eufemismos para melhor enganar e explorar a grande maioria da sociedade. Na Europa como na Síria, há um défice de Democracia e de Justiça que tem que ser resolvido. Estarão os responsáveis de alguns estados da União Europeia - como a França -, disponíveis para financiar a revolução que a Europa precisa, como fazem com a Síria?...  

    Rebeldes sírios armam-se com dinheiro enviado pela França