30/11/2012

Nem mais um grão de arroz para o negócio da Jonet


Com a aproximação do Natal, época propícia à exploração emocional das pessoas, Isabel Jonet lança mãos à obra na promoção do negócio que dirige, a caridade. A Isabel Jonet sabe muito bem que esta actividade não soluciona os problemas da pobreza, antes pelo contrário, para além de piorar a situação, humilha o ser humano mais que a própria fome. A pobreza combate-se com políticas que a erradiquem, mas como vai ela optar pelo caminho certo, se o próprio partido de que faz parte, o PSD, no governo a única obra que consegue com sucesso é fabricar cada vez mais e novos milhares de pobres todos os dias? A Isabel Jonet também sabe que só há uma forma de lidar com situação: a solidariedade. Mas isso não é uma acção de bem intencionados, é uma práctica de cidadania, coisa que arrepia os bem intencionados e caridosos ricos. Não, não vamos brincar à caridadezinha, vamos lutar contra a hipocrisia. 

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha

Vamos brincar à caridadezinha
A senhora de não sei quem
Que é de todos e de mais alguém

Passa a tarde descansada
Mastigando a torrada
Com muita pena do pobre
Coitada
Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha
Neste mundo de instituição
Cataloga-se até o coração
Paga botas e merenda
Rouba muito mas dá prenda
E ao peito terá
Uma comenda
Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha
O pobre no seu penar
Habitua-se a rastejar
E no campo ou na cidade
Faz da sua infelicidade
Alvo para os desportistas
Da caridade
Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha
E nós que queremos ser irmãos
Mas nunca sujamos as mãos
É uma vida decente
Não passeio ou aguardente
O que é justo
E há-que dar a toda a gente
Não vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta é falsa intençãozinha
Não vamos brincar à caridadezinha
Não vamos brincar à caridadezinha
Não vamos brincar à caridadezinha