13/03/2012

Uma cantiga de desemprego



Fumo um cigarro deitado 
no mês de Janeiro 
fecho a cortina da vida 
espreguiço em Fevereiro 
e procuro trabalho 
nesta esperança de Março 

já me farta de tanto Abril 
e aquilo que não faço 
espreito por um funil 
a promessa de Maio 
porque esperar prometido 
nessa eu já não caio 

queimo os dias de Junho 
no sol quente de Julho 
esfrego as mãos de contente 
num sorriso de entulho 
para teu grande desgosto 
janto contigo em silêncio 
e lentamente esquecido 
digo-te adeus em Agosto 
meu Setembro perdido 
numa esquina que eu roço 
e penso em Outubro 
o menos que posso 

mas quando sinto a verdade 
daquilo que cansa 
nunca houve vontade 
do tempo de andança 
sinto força em Novembro 
juro luta em Dezembro