29/03/2012

Diz que é uma espécie de democracia - qual é a lei que proíbe pintar sobre um papel na rua?



artº 37
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

artº 45º da Constituição
Direito de reunião e manifestação 
1º Os cidadãos têm o direito de se reunir pacificamente e sem armas,mesmo em lugares abertos ao público,sem necessidade de autorização 
2ºA todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.

Como é que um ou vários ignorantes, só porque vestem uma farda, podem defender os cidadãos e o interesse público?

27/03/2012

Dia Mundial do Teatro


25/03/2012

Olívico lirismo musical antes do mergulho nos braços de Morfeu




Anda comigo ver os aviões levantar voo
A rasgar as nuvens
Rasgar o céu

Anda comigo ao porto de Leixões ver os navios
a levantar ferro
a rasgar o mar

Um dia eu ganho a lotaria
Ou faço uma magia
Mas que eu eu morra aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
e que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

Anda comigo ver os automóveis à Avenida
A rasgar as curvas
A queimar pneus

Um dia vamos ver os foguetões levantar voo
A rasgar as nuvens
A rasgar o céu...

Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à Lua
Nem que eu roube a Lua
Só para ti


Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti 

"ANY WHERE OUT OF THE WORLD" - excerto


"Como as coisas são. E o que é que as guia. Um nada. Às vezes pode começar com um nada, uma frase perdida neste vasto mundo cheio de frases e de objectos e de rostos, numa grande cidade como esta, com as suas praças, e o metropolitano, e a gente que se apressa à saída dos empregos, os eléctricos, os automóveis, os jardins, e depois o rio plácido sobre o qual deslizam os barcos a poente em direcção à foz, ali onde a cidade se alarga num subúrbio baixo e branco, todo torto, com grandes buracos vazios entre as casas como olheiras escuras e uma vegetação rala e os pequenos cafés sujos, restaurantezecos onde as pessoas podem comer de pé a olhar para as luzes da costa ou então sentadas às mesinhas de ferro vermelho, um pouco enferrujadas, que fazem barulho no passeio, e criados de ar cansado e casaco branco com nódoas. (...) E agora, que fazer? Nada, não faças nada. Senta-te naquele café, a uma mesa, estende as pernas, traga-me um sumo de laranja e umas amêndoas, obrigado, abre o jornal, compraste-o por pura apatia, as notícias não te interessam, o Sporting empatou com o Real Madrid na Taça dos Campeões, o preço dos mariscos vai subir, a crise do Governo parece ter-se dissipado, o presidente da Câmara assinou o plano urbanístico que prevê a zona para peões no centro histórico, vão pôr vasos de flores entre a rua tal e a rua tal e tal e esta parte da cidade tornar-se-á um oásis para passear e fazer compras, no norte do país um autocarro entrou por uma loja de esquina dentro porque o condutor se sentiu mal e morreu de repente, não com o choque, com um enfarte, não se registam outras vítimas, só danos consideráveis na loja, que ficou completamente destruida, era uma loja de caixas de bombons e outros artigos para casamentos e comunhões. (...) E agora os anúncios pessoais: são os mais interessantes, a humanidade despe-se escondendo-se penosamente atrás de eufemismos. Ah, o véu das palavras, que dó. Viúva, séria, procura amizade duradoira. (...) Um reformado que a solidão atormenta. A agência do costume para encontros bem sucedidos: o que espera para encontrar a sua alma gémea? E depois, de repente, o coração começa a bater-te desabaladamente, tum, tum, tum, chega-te à garganta, (...) Mas porque é que te há-de acontecer a ti? (...) Voltas a ler a frase pela décima vez, isto não é um anúncio normal, é uma frase clandestina que alguém pagou para que fosse publicada num jornal da tarde, não indica apartados, endereços, nomes, empresas, escolas, nada. Só isto: Any where out of the world. (...)
(in Pequenos Equívocos Sem Importância - António Tabucchi)

Esquizofrenia nacional - retrato de um país colonizado.., pela troika.

 
 
Duas imagens, o mesmo país. Chegaram via Facebook. A primeira diz respeito às preocupações de pessoas solidárias. A segunda, é produto da orientação política do grupúsculo partidário onde se formou o anterior  primeiro ministro José Sócrates, e o actual, Passos Coelho. Ambas refletem uma realidade preocupante, a primeira porque corresponde a um dos problemas sociais mais preocupantes e injustos - a qualidade (ou falta dela) de vida dos nossos idosos, a segunda, porque com os princípios (ou falta deles) que esse bando de cretinos da JSD se identifica, o futuro - enquanto forem poder - é uma paisagem muito negra. A primeira é uma denúncia do colectivo de "Produções HUMORDATRETA", a segunda é uma provocação da JSD, oficialmente conhecida como Juventude Social Democrata, mas que na verdade não passam de um grupo de Javardos Sabujos Delinquentes.

21/03/2012

Ainda Poesia - Retrato de Luis de Camões


Não do mar meu Luís mas dessa mágoa
marchetada de tudo apartada de quem
não mais trouxer os olhos rasos de água
por esta terra de ninguém.

Não do mar meu Luís mas da raiz
da nossa amada pátria portuguesa
chulando o mal de bernardim
até à última grandeza.

Não do mar meu Luís mas da galega
couve do pranto aberta pranto raro
pranto tão canto que a cantar te quero
neste deserto de quem fala claro.              


Ary dos Santos

Mais Poesia - Perguntas de um Operário Letrado


Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas                                  Bertolt Brecht

POESIA - Língua Proletária do Meu Povo...



DEITADO FRENTE Ó MAR...


Lingua proletaria do meu pobo
eu faloa porque si, porque me gusta
porque me peta e quero e dame a gana
porque me sae de dentro, alá do fondo
dunha tristura aceda que me abrangue
ó ver tantos patufos desleigados,
pequenos mequetrefes sen raíces
que ó pór a garabata xa non saben
afirmarse no amor dos devanceiros,
fala-la fala nai,
a fala dos abós que temos mortos,
e ser, co rostro erguido,
mariñeiros, labregos da linguaxe,
remo e arado, proa e rella sempre.
Eu faloa porque si, porque me gusta
e quero estar cos meus, coa xente que sufren longo
unha historia contada noutra lingua.
Non falo prós soberbios,
non falo prós ruíns e poderosos,
non falo prós finchados,
non falo prós estupidos,
non falo prós valeiros,
que falo prós que aguantan rexamente
mentiras e inxusticias de cotío;
prós que súan e choran
un pranto cotián de volvoretas,
de lume e vento sobre os ollos núos.
Eu non podo arredar as miñas verbas de
            tódolos que sufren neste mundo.
E ti vives no mundo, terra miña,
berce da miña estirpe,
Galicia, doce mágoa das Españas,
deitada rente ó mar, ise camiño...
CELSO EMILIO FERREIRO

OUTRA LINGUAGEM - GREVE GERAL

13/03/2012

Uma cantiga de desemprego



Fumo um cigarro deitado 
no mês de Janeiro 
fecho a cortina da vida 
espreguiço em Fevereiro 
e procuro trabalho 
nesta esperança de Março 

já me farta de tanto Abril 
e aquilo que não faço 
espreito por um funil 
a promessa de Maio 
porque esperar prometido 
nessa eu já não caio 

queimo os dias de Junho 
no sol quente de Julho 
esfrego as mãos de contente 
num sorriso de entulho 
para teu grande desgosto 
janto contigo em silêncio 
e lentamente esquecido 
digo-te adeus em Agosto 
meu Setembro perdido 
numa esquina que eu roço 
e penso em Outubro 
o menos que posso 

mas quando sinto a verdade 
daquilo que cansa 
nunca houve vontade 
do tempo de andança 
sinto força em Novembro 
juro luta em Dezembro 

11/03/2012

Como ontem foi tempo de a RTP adormecer o pessoal com as cantiguitas habituais, hoje aqui se deixa a alternativa para que continue a acreditar no engenho e a arte do pobo, carago...

"... vão apoderar-se de todos os ativos da Grécia, Portugal e Espanha."


E os "judeus" do holocausto financeiro que se aproxima são os Gregos, os "pretos" são os Portugueses e os "ciganos" os Espanhóis. A raça ariana de Merkel não desistirá ( a não ser que os "judeus", os "pretos" e os "ciganos" da Europa se levantem e lhe façam um grande manguito) da "sua supremacia branca", porque os complexos imperiais são incompatíveis com a razão e criam uma grande cegueira, motivo pelo qual são incapazes de ver que o mundo é às cores.  


O independentismo catalão procura caminhos face ao Estado próprio



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Enquanto povos como o português, o grego e outros vivem hoje a amarga realidade da decadência, provocada pela cada vez maior perda de soberania face às exigências duma União Europeia ultra-liberal, há outros povos que, conhecedores da realidade do autonomismo ou de esgares tão sedutores quanto irrealistas de um romantismo federalista ultrapassado, vêem na independência a possibilidade última de se cumprirem civicamente, como "povos dignos e livres". São estes os Povos que se necessitam, pois só com homens que não se vergam, é possível parar o monstro totalitário em que a Europa se está a transformar.
A Catalunya continua o seu caminho...
Ler mais aqui    ou aqui .   

08/03/2012

8 de Março


Catarina Eufémia

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente
Pois não
deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método ubíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos
Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro
no instante em que morreste
E a busca da justiça continua


Dia Internacional da Mulher




01/03/2012

E Portugal?...

Por essa Europa fora é o que se vê:

No estado espanhol, os estudantes não dão tréguas a "Marianito Rajoy, el chico de Pontevedra que há llegado a jefe del gobierno - manda carajo!, quién poderia adivinarlo hace unos años, por finales de los 80 o los primeros de los 90, cuando  paseaba sus complejos por los bares del casco viejo de su ciudad, mirando impotente con ojos de lobo las caperucitas inatingibles a los deseos de su boca... Y ahora es asi... 

Mais ao norte - França -, chegou a vez de ser le petit Sarkosy a provar um pouco da insatisfação que tem provocado nas pessoas. O anão de Merkel conseguiu refugiar-se num café mas não ganhou para o susto, como se pode verificar aqui...

Em Itália, país governado por um primeiro ministro imposto pelo império alemão da União Europeia, também o ambiente vai aquecendo aumentando a temperatura social, como se pode ver com mais este exemplo...

A Grécia, pátria da Democracia agredida e nossa esperança, será - quer queiram quer não queiram os propagandistas e profissionais austeritários -, o fiel da balança que ditará o fim desta Europa injusta e decadente. A luta continua hoje e sempre...

Por cá, aumenta o desemprego, da fome não se fala, - que vergonha!... -, os estudantes continuarão a cantar que "a mulher gorda, a eles não lhes convém... etc. e tal", continuaremos a pagar os BPNs e os BBPs das  vidas deles - os que se governam bem à nossa custa -, e, e, e,... até quando?!