28/11/2010

Entre o céu e o inferno



" O primeiro-ministro de Portugal (António Guterres) está absolutamente empenhado em levar a generalidade dos portugueses para o reino dos céus, que é para onde vão os pobres da terra. Mas devia perguntar-lhes se eles querem." 13 de Março de 2001, João Paulo Guerra

O primeiro-ministro de Portugal (José Sócrates) e o líder do PSD (oposição a fingir, Pedro Passos Coelho), estão empenhadíssimos em levar a grande maioria dos portugueses para o inferno, porque é mais higiénico, evitam-se problemas de saúde pública, e não se ocupam desnecessariamente terrenos que possam  vir a ser úteis em negócios mais lucrativos no futuro. Não sei se lhes perguntarão se querem ir para lá - desconfio que não -, mas com o preço da electricidade e dos combustíveis - lenha incluída -, como hão-de os pobres enfrentar o Inverno?

Elogio da dialéctica

25/11/2010

A oeste nada de novo - sobre a Greve Geral


 A ministra é uma mulher feliz com o resultado da Greve Geral. Segundo ela, o seu secretário de estado e o (des) governo de que fazem parte, o número de grevistas não ultrapassou os 20,1% em termos gerais e, os trabalhadores da Administração Pública Central que aderiram foi de 29%. Isto só mostra a coerência do executivo que, quando se trata de números, tem uma especial disposição para errar. A melhor ilustração é o estado a que o país chegou.

24/11/2010

Dia de Greve Geral - "Manifestación" de António Berni, com poema de Régio


  • Surge Janeiro frio e pardacento,
  • Descem da serra os lobos ao povoado;
  • Assentam-se os fantoches em São Bento
  • E o Decreto da fome é publicado.                                      

  • Edita-se a novela do Orçamento;                                     
  • Cresce a miséria ao povo amordaçado
  • Mas os biltres do novo parlamento                                   
  • Usufruem seis contos de ordenado.                                   

  • E enquanto à fome o povo se estiola,                                
  • Certo santo pupilo de Loyola,                                           
  • Mistura de judeu e de vilão,
  •  
  • Também faz o pequeno “sacrifício”                                  
  • De trinta contos – só! – por seu ofício                              
  • Receber, a bem dele... e da nação.
  •  
  • JOSÉ RÉGIO

A Greve Geral no Parlamento Europeu

22/11/2010

Um governo patético e sem noção do ridículo...


Uma manhã, um Secretário de Estado, um discurso de abertura de um Congresso;
Um fim de tarde, um Ministro, um discurso de encerramento de um Congresso;
"Medida de austeridade": discurso de abertura = discurso de encerramento, o mesmo.
Explicação: o "des"governo fala a uma só voz.
Quanto custa um discurso?


Ora cá estão dois "duros". Orgulhosos da sua tropa, guardas e polícias, das suas armas e sofisticados carros de repressão e morte, eles aí vão, autênticos Rambos em perseguição dos "maus".Um deles é o exemplo puro da "ovelha tresmalhada" recuperada pelo sistema - manifestante contra a guerra num passado próximo, repressor dos que contra ela se manifestam hoje.
A propósito: onde ficaram as viaturas? Quem as vai pagar? A quem serve este negócio?








Eis um Ministro em franca promoção familiar.








A Cultura do Ministério ou o Ministério da Cultura? Ah! Uma Ministra da Cultura. Para o executivo, parece que cultura é sinónimo de turismo... E, claro, lá foi a Ministra cumprir a sua obrigação, servindo de guia turística às senhoras desocupadas, que acompanharam os maridos à cimeira da NATO em Portugal.


Um quase ex-Primeiro Ministro. Um clone de si mesmo, sempre coerente na sua prática de especialista em tele-vendas. Se ontem "nos" vendia as maravilhas dessa Europa que "já era", com o Tratado de Lisboa, hoje cá está ele de novo a tentar "vender-nos" a infalibilidade do "Conceito Lisboa", enquanto "filosofia estruturadora" das políticas de dominação militar do mundo.

"Benditos os pobres de espírito, pois será deles o reino dos céus..." 

Joaquim Gomes 1917-2010.

O histórico dirigente do PCP tinha 93 anos de idade. Funeral de Joaquim Gomes

21/11/2010

Guarda-avançada da nova-velha ordem

Clique na imagem, para ampliar

Até podem vestir-se de virgens imaculadas, mas são com certeza dois exemplares,  que olham a Democracia como qualquer coisa  muito trabalhosa...
"- Bolas pá, que chatos..."  

20/11/2010

A PAZ não se consegue com organizações de guerra - Abaixo a NATO

Austeridade - "Malos tiempos para la lírica..."

Todos os dias somos bombardeados com um enorme ruído que tem origem nas televisões, nos comentários oriundos da leitura de jornais, no intercâmbio efectuado nas mais variadas redes sociais, na blog-esfera etc., sobre a crise e a austeridade "inevitável" que ela nos impõe, sobre a recessão, o desemprego, sobre o "apertar o cinto" que não   é possível evitar, sobre o esforço que a "todos?" nos é exigido, e um sem-fim de sacrifícios necessários, para cumprirmos as promessas de uma penitência que não escolhemos, e da qual nos querem fazer responsáveis.
Não é fácil contrariar o pensamento único do sistema, com os seus "fazedores" de opinião a entrarem a toda a hora em casa das pessoas sem serem convidados, os seus emissários amestrados - clones travestidos  de jornalistas, as suas universidades-fábricas de consumidores acríticos, as suas elites pós-modernas com séculos de vícios e de incompetência... 
Como dizia  Nicolás Guillén, "fácil, sólo la mierda", portanto, façamos um esforço para sair dela. Desintoxiquemos-nos, começando a aprender com leituras que valham a pena, como a que se encontra em 
http://www.esquerda.net/artigo/hist%C3%B3ria-da-austeridade, da autoria de Boaventura Sousa Santos.

A Democracia de Rui Rio - O roubo da propaganda sobre a Greve Geral

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Polícia Municipal do Porto, destrói cartaz dos sindicatos, de apelo à greve Geral


Meu país desgraçado... – Sebastião da Gama

Meu país desgraçado!..
e no entanto há Sol a cada canto
e não há mar tão lindo noutro lado.
Nem há céu mais alegre do que o nosso,
Nem pássaros, nem águas…

Meu país desgraçado!..
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida,
mãos caídas, de olhos sem fé
- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclamam filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem forças, sem haveres!
- olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

18/11/2010

Há 139 anos... Quem diria?

 “O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes tornaram-se dissolutos; as consciências em debandada; os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. (…) A ruína cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e um inimigo. (…) No entanto, a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Não é uma existência, é uma expiação. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido.”

“As Farpas”, 1871 – Eça de Queiróz 

17/11/2010

E os porquinhos do ano, são...?


Bem, nada de confusões. Porquinhos são porquinhos, mas estes senhores da imagem só estão no meio deles, não é? Pois, nós sabemos que há pessoas mais porcas que os próprios porquinhos, mais nojentas até...Porque fazem coisas que não deviam, sem nenhuma vergonha na cara, são uns autênticos alarves à mesa, sempre a pensar em comerrrrr tudo, mas pronto... Também são muito obedientes aos patrões, e às vezes até parece que têm alguma consciência. Estes que aqui estão, por exemplo, até tiveram coragem - isso mesmo, coragem! - para mandarem uma mensagem ao amo, - o que é o amo? Ora essa!, é o senhor que manda - para darem uma ajudinha pela alma de quem lá têm pela conversão da crise... Não se sabe o que o amo vai fazer, quer dizer, o amo vive muito bem com essa coisa da crise, muitas vezes até vivem muito melhor com as crises, pois quem tem que as pagar são as outras pessoas. Quais? Todas: os velhinhos, os jovens desempregados, os trabalhadores mal pagos, os precários, os pobres, os emigrantes, enfim, todos aqueles que não estudaram para serem amos ou para serem seus lacaios... Mas enfim, não vou contar-vos a história toda... http://arrastao.org/sem-categoria/tenham-a-bondade-de-auxiliar e http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1711861&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina

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José Saramago, a voz sempre presente

16/11/2010

Aí está de novo, a justificar a sua promoção

Constâncio, que como toda a gente sabe é mais um dos génios da economia que também ajudou a que este país chegasse ao estado a que chegou - lembram-se, entre outros, dos casos BPN e BPP? -, abriu hoje a boca para falar da Irlanda. E claro, como não poderia ser de outra maneira, para ensinar os irlandeses como e o que devem fazer para "estabilizar a sua situação", isto é: recorrer à ajuda da UE e do FMI, porque, como é evidente, os mercados «compreendem completamente o propósito e o alcance» do programa de títulos do BCE.
No passado dia 11, já um outro super-homem dos que vão nascendo por estas bandas, o maoísta Durão Barroso, tinha dito que estava a acompanhar a situação de grave crise financeira irlandesa e que « a União Europeia estava pronta a apoiar» a Irlanda.
Por cá, um presidente também economista e ex-primeiro ministro, também responsável da situação a que o pais chegou - este, não a Irlanda - tinha afirmado que não era bom diabolizar os mercados e, todas as televisões e pasquins nacionais fizeram eco das suas palavras.
Constâncio, Barroso, Cavaco e todos os que falam nos mercados como algo abstracto para justificar todos os males, como se de um deus tirânico e canibal se tratasse, todos eles, são os representantes do mercado, são os que vivem servindo e servindo-se do mercado, são ao mesmo tempo os manipuladores e as marionetas do sistema. Se os políticos não servem para regular os mercados, então para que são necessários os políticos?
O Fundo Monetário Internacional não ajuda ninguém, a não ser os que o servem.


14/11/2010

Socorro!, um porta-aviões não...


O Paulinho das feiras, também conhecido como o Paulocas dos submarinos, parece que teve um sonho na noite passada. E o diabo é que quando os personagens como este, sonham, não conseguem ver a diferença entre o imaginário e a realidade. O Paulinho, como o Zezinho, o Coelhinho e outros inhos que por aí proliferam, quando se deixam embalar pela noite fora, têm sonhos que depressa se transformam nos mais terríveis pesadelos da Nação. O Paulinho sonhou-se grande, um autêntico gigante predestinado para grandes vôos. Se isto não passasse de um simples jogo da batalha naval em papel quadriculado, a coisa não era grave. Mas não, sonhou a sério. Juntou alguns papagaios à sua volta e disse-lhes: - Espalhai a notícia por todos os cantos do país, dizei-lhes que eu descobri a pólvora seca, quer dizer, a solução para todos os problemas que atormentam a alma e o corpo desta desgraçada Pátria. Eu vi, eu sei que é possível formar um governo de salvação nacional, entre o CDS, o PSD e o PS. Mas com o Zezinho fora do jogo, pronto! Com ele não brinco, porque antes também não me deixou brincar...
O Paulinho também delira, como os outros. E destes delírios não se pode esperar nada de bom. Quanto custou o submarino, mil milhões de euros? Imaginem quanto pode custar o próximo brinquedo do menino... Porque o dedo mindinho adivinha coisas, e o meu segredou-me que o que ele quer agora, é um porta aviões. SOCORRO, isso nãããão!

Ricardo Noronha - palavras para serem lidas

Vias de Facto: Um Inverno que promete que ser longo

As paredes limpas de Câncio

A propósito de "Democracia esborratada" de Fernanda Câncio, mais um episódio de um mau "espectáculo".

Fusão PS/PSD


O Ministro dos Negócios Estrangeiros do (des) governo nacional Luís Amado fez quase uma descoberta sem precedentes, ao classificar a política portuguesa como aberrante, em entrevista exclusiva concedida ao Expresso. E só não é uma descoberta porque a essa conclusão chegam os portugueses todos os dias, já há bastante tempo, e não pelo motivo que aponta, mas pelo contrário. Não Sr. Ministro, não é verdade que Portugal viva "numa situação onde a oposição e o governo minoritário não tenham conseguido iniciar um diálogo com vista à constituição de uma plataforma de governo". Haverá melhor plataforma de governo para os vossos interesses do que os acordos para a aprovação dos vários PECs com o PSD? Não é um exemplo de grande cumplicidade a aprovação do - esse sim, aberrante - Orçamento do Estado 2011 com o mesmo PSD? Qual é a próxima jogada para a desresponsabilização do delirante licenciado da Independente e de todos os que lhe alimentam o ego, ou se alimentam à custa desse ego - "centrista"? Não Ministro, o problema de Portugal são as décadas de governação sem alternância de poder, sempre os mesmos ao serviço do mesmo, e de si próprios. Uma questão Sr. Ministro: porquê uma coligação e não uma fusão PS/PSD? Terá que acontecer um dia, porque até mesmo os que mais dormem acabam por acordar...

FMI



03/11/2010

Dia Nacional da Infâmia - aprovação do Orçamento PS/PSD 2011








“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, – reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (…)

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (…)

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre, – como da roda duma lotaria.

A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;

Dois partidos (…), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (…) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, – de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (…)”

Guerra Junqueiro, A Pátria, 1896