30/11/2007

Greve


O "inginheiro" deve estar danado. O "inginheiro", essa espécie de ÚBU REI à portuguesa - com perdão de Alfred Jarry -, colocou no terreno os "fiéis amigos" que, bem habituados como estão nestas coisas da propaganda, disseram e repetiram que a greve não superou os 20% de adesão. O "inginheiro" começa a perder o tino, e só os "fiéis amigos"é que não se apercebem, bem treinados - à base da repetição -, nestas coisas da (des)informação.

( Para mais conhecimentos sobre os "fiéis amigos", aconselha-se a leitura da "Teoria dos reflexos condicionados de Pavlov.)

22/11/2007

os cartazes dizem







16/11/2007

Longa vida a José Saramago

Aqui, na Terra, a fome continua,

A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme

E dizemos amor sem saber o que seja.

Mas fizemos de ti a prova da riqueza,

E também da pobreza, e da fome outra vez.

E pusemos em ti sei lá bem que desejo

De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos

As vertigens do espaço e maravilhas:

Oceanos salgados que circundam

Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa

Onde come, brincando, só a fome,

Só a fome, astronauta, só a fome,

E são brinquedos as bombas de napalme.

("FALA DO VELHO DO RESTELO" de José Saramago, 16/11/1922 - 16/11/2007. Parabéns )

13/11/2007

Exercício de memória - foi há cinco anos




Lembram-se? Reinava então o "democrata Aznar" em Madrid, o muito mais "democrata" de longa data - e com provas dadas durante o regime super democrático de Francisco Franco, de quem foi ministro - Fraga Iribarne, e, acima dos dois, com "legitimidade" divina - pois outra não lhe vislumbro-, o herdeiro e sucessor de Franco que dá pelo nome de D.Juan Carlos de Bourbón.


O Prestige de triste memória, ´só tem de prestígio o mesmo que tantos malfeitores que o tornaram possível. Foi há cinco anos - o Prestige -, mas todos os dias acontecem os "Prestiges" que vão destruindo o mundo que nos alimenta e, com ele, nos vai matando a nós atolados na "merda" que o "deus mercado"produz: lucro, a qualquer preço.
NUNCA MAIS.

no comment...

Tributo a José Afonso


09/11/2007

Apontamentos


3 - Os banqueiros da grande banca do mundo, que praticam o terrorismo do dinheiro, têm mais poder que reis, marechais e generais e até que o próprio papa de Roma. Os banqueiros jamais sujam as mãos, não matam ninguém: limitam-se a aplaudir o espectáculo.

Os seus funcionários - os tecnocratas internacionais -, mandam nos nossos países: eles não são presidentes, nem ministros, nem foram eleitos em nenhumas eleições, mas decidem o nível dos salários e as contas públicas, os investimentos ou os desenvestimentos, os preços, os impostos, os interesses, os subsídios, as horas do nascer do Sol ou da frequência das chuvas.

Por outro lado não se ocupam das prisões, nem das cãmaras de tortura, nem dos campos de concentração ou de extermínio, mesmo que nesses lugares aconteçam as inevitáveis consequências dos seus actos.

Os tecnocratas reivindicam o privilégio da irresponsabilidade:

- Somos neutrais - dizem.

(Eduardo Galeano, in «El libro de los abrazos»

- / -

IMPUNIDADE - recompensa que se outorga ao terrorismo, quando é de estado.

Para fazer o retrato de um Pássaro


Pinta primeiro uma gaiola

com a porta aberta.

Pinta a seguir

qualquer coisa bonita,

qualquer coisa simples,

qualquer coisa bela,

qualquer coisa útil

para o pássaro.

Agora encosta a tela a uma árvore,

num jardim,

num bosque,

ou até numa floresta.

Esconde-te atrás da árvore

sem dizeres nada,

sem te mexeres...´

Às vezes o pássaro não demora

mas pode também levar anos

antes que se decida.

Não deves desanimar,

espera,

espera anos se for preciso,

a rapidez ou a lentidão da chegada

do pássaro, não tem qualquer relação

com o acabamento do quadro.

Quando o pássaro chegar

- se chegar-,

mergulha no mais fundo silêncio,

espera que o pássaro entre na gaiola

e, quando tiver entrado

fecha a porta devagarinho, com o pincel.

Depois,

apaga uma a uma todas as grades

com cuidado, não vás tocar nalguma das penas.

Faz a seguir o retrato da árvore,

escolhendo o mais belo dos ramos

para o pássaro,

pinta também o verde da folhagem, a frescura do vento,

a poeira do sol,

e o ruído dos bichos entre as ervas no calor do verão.

E agora espera que o pássaro se decida a cantar.

Se o pássaro não cantar

é mau sinal,

é sinal que o quadro não presta,

mas se cantar é bom sinal,

sinal de que podes assinar.

Então, arranca com muito cuidado

uma das penas do pássaro,

e escreve o teu nome num canto do quadro.

(Jacques Prévert)
(Pintura de Miró - O canto do rouxinol à meia noite, e a chuva da manhã)
(

O ser humano(?) e a sua obra...